Entrevistado: Gersom Jacob Dezan, 82 anos.
-Vô, poderia me contar um pouco sobre a sua história e dos seus familiares?
- Pelo que me lembro bem, eles vieram da Itália, tá entendendo? E quando eles chegaram
no Brasil era mata pura quase, não tinha quase nada! Tá entendendo? Eles não falavam
também... Eu aprendi um monte de língua italiana (sorrindo e dando uma risada). Então,
eles vieram pro Brasil e frequentaram muita coisa difícil, entendeu? Pra poder sobreviver e,
eu aprendi muita coisa italiana, né? Que eu falava e um monte de coisa italiana que eu
sabia, mas esqueci.
-Mas então você nasceu aqui no Brasil?
- Nasci aqui no Brasil, meus avós nasceram na Itália! Nasceu todo mundo na Itália e aqui
quando eles viera, vieram num navio, não sei, parece ser um negócio assim e foram
soltados aqui no Brasil e naquela época foi dificil pra danado pra eles, por que foram tirando
mata, fazendo lavoura e foi construindo e daqui a pouco foi chegando mais, entende? E foi
formando, aquele pessoal da Itália, por isso tem muito italiano no Brasil e, nós temos que
agradecer a eles! Os italianos tiveram coragem, foram forte, não são medroso igual nóis
não! Derrubaram mata, plantaram café, plantaram milho, plantaram TUDO! Entendeu? Tudo
que eles podia fazer, eles fizeram, por que eles eram inteligentes. Ali foi criado meu pai, os
irmãos do meu pai e depois meu falecido avô morreu e só ficou minha vó, e depois ela
morreu também, quando minha avó morreu, já tava com os filhos todo formado, já quase
casado e então começaram a trabalhar. Meu pai morava em monte alegre e depois ele veio
para o norte, também frequentou uma barra pesada, por que não tinha lavoura, quase, né?
Então os cara derrubava mata, né? E plantava mantimento, café.. e aí foi formando.
Inclusive se não fosse eles, o Brasil estaria cheio de mata, foi tudo graças a eles.
- E a sua infância, como era?
- Ah, era ótimo! Eu plantava e comia sem problema nenhum em ter problema de saúde, pois
não tinha esses agrotóxicos lá em Monte Alegre onde nasci, meu pai tinha lavoura lá, tinha
porco, tinha galinha, café, gado a vontade, né? A única coisa que nóis comprava lá era sal,
pra fazer comida, né? E querosene pra iluminar as casa, que era botado naquela latinha,
né? Por que não tinha luz, comprava o trigo também e o resto não precisava comprar, por
que tudo tinha lá na roça.
- E quando foi que você veio aqui para Cariacica?
- Eu casei lá no norte, tive a Lúcia e o Inácio e o resto de filho foi aqui em vitória. Eu aprendi
a ser alfaiate lá no norte, e comecei a trabalhar aqui como profissão aqui na cidade e
trabalhava na feira, também. E pra mim ficar com a profissão legalizada, eu fui fazer um
curso em São Paulo, com o melhor alfaiate do Brasil, e eu consegui tirar em segundo lugar..
tá? (com um sorriso no rosto). Então voltei e tive a Penha, a Cida,a Lena e o Júnior tive
depois, e to aqui até hoje, nunca fiquei devendo ninguém, minha vida sempre foi legal.
Projeto Mobilidade Humana ES: passado e presente financiado por: Edital FAPES Nº 14/2014 - PROGRAMA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA JÚNIOR (PESQUISADOR DO FUTURO) em parceria de pesquisa com a UFES Coordenador - Maria Cristina Dadalto Monitores: Tatiana Dias Zocrato e Mayara Cardoso Felix Prudêncio Pesquisadores/colaboradores: Cione Marta Raasch Manske, João Evangelista de Souza Adilson Silva Santos, Fabiene Passamani Mariano, Silvana Maria Gomes da Rocha, Raul Felix Barbosa.
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